Óculos e personalidade: por que você não precisa seguir tendências
Há um detalhe curioso na época que vivemos: nunca tivemos tanto acesso a referências de bom gosto e, ao mesmo tempo, nunca nos parecemos tanto uns com os outros. As armações que viralizam, as cores da estação, o modelo que “todo mundo” está usando. Seguir é confortável, mas tem um custo silencioso: o de você desaparecer no meio.
Quando o gosto vira repetição
Existe um nome recente para esse fenômeno. A escritora Emily Segal, do estúdio de tendências Nemesis, cunhou o termo tasteslop para descrever o que o algoritmo faz com a cultura: transforma o bom gosto em conteúdo infinito e intercambiável. Os sinais de refinamento são extraídos do seu contexto e recolocados em qualquer lugar, até perderem sentido.
“Tasteslop é slop feito de coisas consideradas de bom gosto.”Emily Segal, Nemesis
A inteligência artificial intensifica isso porque é excelente em reconhecer os marcadores do que parece sofisticado, mas péssima em perceber quando esses marcadores já viraram clichê. O resultado é uma estética que se entende rápido demais, que não pede nada de quem olha e acaba não dizendo nada sobre quem usa. No fim, tudo vira moodboard e parece que você já viu antes.
O óculos é o caso mais óbvio
Poucos objetos revelam tanto quanto um par de óculos. Ele fica no centro do rosto, é a primeira coisa que olham em você e está lá em toda foto, toda reunião, todo dia. Quando você escolhe a armação da tendência, ganha a segurança de estar “certo” e perde a chance de parecer você. A pergunta deixa de ser “isso está na moda?” para virar “isso tem a ver comigo?”.
Não se trata de rejeitar tendências por princípio. Elas existem, são úteis e às vezes uma novidade conversa de verdade com quem você é. O problema aparece quando a tendência vira obrigação, quando você escolhe de fora para dentro e deixa o feed decidir o que combina com o seu rosto antes de você mesmo decidir.
Escolher pela própria personalidade
A alternativa é mais silenciosa e mais durável: escolher pela própria personalidade. Isso pede um olhar para dentro (seus traços, seu jeito, seu trabalho, o que você quer transmitir) e a tradução de tudo isso em uma forma, uma cor, uma proporção. É um trabalho de leitura, que nenhuma vitrine apressada e nenhum algoritmo conseguem fazer no seu lugar.
Uma peça escolhida assim envelhece bem. Ela não “sai de moda” porque nunca dependeu da moda; dependia de você. Daqui a três anos, quando a tendência da vez já tiver passado, ela vai continuar fazendo sentido. Num tempo que nivela tudo por baixo, parecer-se consigo mesmo virou o último luxo.
Vamos encontrar o que é seu
Leio o seu rosto e o seu estilo e seleciono o que combina com você, e não com a tendência da semana.
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